Por consenso “Wiki” é o termo atribuído ao software colaborativo que permite edição colectiva de documentos sem revisão prévia à sua publicação, através da utilização da Internet.
A Wiki enquanto artefacto tecnológico, dadas as suas características permite a construção colectiva do saber. Como? – Porque os visitantes podem colaborar ou cooperar com os seus conhecimentos para o desenvolvimento de uma ideia (chuva e ideias ou brainstorming) do grupo independentemente do local onde se encontrem e ao mesmo tempo, se assim o desejarem.
O processo de colaboração inicia-se com o propósito de efectuar ou concluir um “trabalho” ou “tarefa”. A tarefa ou trabalho carece duma “coordenação” para que o objectivo seja eficazmente alcançado evitando a repetição de abordagens, negociando e tomando decisões relativamente às tarefas e dando cumprimento aos prazos.
Por outro lado é um software free, logo ao alcance de qualquer comunidade.
Assim a wiki apresenta-se como um bom mediador colaborativo.
As desvantagens da utilização decorrem dos temas tratados correrem o risco de ficarem pelo carácter opinativo, ou seja nem sempre fiável.
A utilização deste artefacto parece ser uma boa opção em termos educacionais, porque permite a transmissão e a construção de conhecimento substituindo a sala de aula, o lápis, o papel e o quadro pelo teclado do computador e pela Internet. É exactamente este aspecto que Paraskeva e Oliveira (2006) questionam referindo que: “de nada valerá uma tecnologia informacional e comunicacional que contribua para a mesma forma e conteúdos curriculares” exigindo os conteúdos de ensino reforma de acordo com os autores.
Pensar estas ferramentas com bom senso tendo o cuidado de não as deixar ser invasivas tanto da privacidade como da nossa identidade é fundamental.
Apesar de ser atribuída à tecnologia um papel de relevo, tem-se verificado que o deslumbramento inicial rapidamente se desvanece, evidenciando-o, os projectos de ensino à distância que fracassaram.
A utilização do E-learning será semelhante para crianças/alunos e para adultos?
De acordo com Ross (2006) refere que de acordo com o relatório Fool´s Gold “os 30 anos de investigação em tecnologia educativa produziram somente uma relação clara entre os computadores e a aprendizagem das crianças” referindo os programas de repetição e prática, os que apresentam um impacto mais significativo nos desempenhos.
São igualmente relatados os argumentos da Alliance for Childhood que “argumenta que o que é bom para adultos e estudantes mais velhos é muitas vezes inapropriado para jovens”.
A Alliance for Childhood vai mais longe ao sustentar que, “ enquanto que para as crianças com certas incapacidades a tecnologia traz benefícios claros, para a maioria das crianças os computadores trazem (ou contribuem par trazer) riscos para a saúde, sérios problemas de desenvolvimento, tais como caso de stress repeitivo, tensão ocular, obesidade e isolamento social”. Este fenómeno, das mudanças tecnológicas rápidas, é apelidado por James Gleick de “doença da pressa” (Ross, 2006).
Para alguns autores “ estamos a usar a tecnologia informática não porque ela ensina melhor, mas porque perdemos a vontade política de fundamentar a educação adequadamente” (Sherry Turkle , citado por Ross, 2006). A própria Alliance for Childhood afirma que os computadores ligam as crianças a jogos banais, a conteúdos para adultos inapropriados e a publicidade agressiva. “ A distância que a tecnologia promove é o oposto do que as crianças precisam – relações próximas com atenção dos adultos” (citado por Ross, 2006).
Miranda (2007) enuncia aspectos, que os professores devem acautelar, relacionados com o ensino e aprendizagem e as tecnologias aquando da sua utilização para que se produza aprendizagem efectiva:
- as tecnologias enquanto ferramentas informáticas devem ser usadas como novos formalismos para tratar e representar a informação – a aprendizagem e o tratamento da informação com alguma perícia (domínio da linguagem escrita, sistema decimal, operações aritméticas, sistemas de classificação, e de representação) adquirida durante o 1º ciclo (9 e 10 anos) até à mestria. De acordo com a autora “ o que acontece é que os sistemas informáticos, considerados como novos formalismos para tratar e representar a informação, ancorados nos sistemas convencionais, vão modificar o modo como as crianças estão habituadas a aprender e também amplificar o seu desenvolvimento cognitivo” (Miranda, 2007). O uso destas ferramentas permitirá aumentar as aprendizagens gerando novas aprendizagens. Este trabalho tem no entanto de ser estruturado e acompanhado pelo professor, que deverá conhecer bem as ferramentas, para que se operem resultados.
- as tecnologias para apoiar na construção de conhecimentos significativos – de acordo com a autora “ a aprendizagem é um processo (re) construtivo, cumulativo, auto-regulado, intencional e também situado e colaborativo” (Miranda, 2007).
Entende-se por processo (re) construtivo que os alunos constroem novos conhecimentos a partir das estruturas e representações já adquiridas; a aprendizagem cumulativa significa que os alunos aprendem com base m aprendizagens anteriores; aprendizagem auto-regulada – o apoio do professor é fundamental para este desenvolva competências de trabalho e hábitos de estudo dando-lhe intencionalidade. Quanto aos a considerar a aprendizagem situada e colaborativa a autora refere a falta de provas científicas que provem o seu real papel. A criação de comunidades de aprendizagem facultadas pelo recurso à Internet são uma opção (aprendizagem situada), mas o contexto facilita ou inibe a aplicação de conhecimentos?; “dizer que a aprendizagem é colaborativa significa que esta se faz em contextos e práticas sociais que implicam a colaboração entre iguais e destes com adultos que, em princípio, se tornam tutores que modelam progressivamente determinados conhecimentos e atitudes”. Miranda (2006) adverte que ”a Internet pode facilitar esta aprendizagem colaborativa, se o professor criar projectos onde alunos (e outros adultos) possam realizar actividades, resolver problemas em cooperação e participar em tarefas comuns” contudo “ nem todas as aprendizagens se fazem de modo colaborativo e nem todos os estudantes gostam e aprendem nestes ambientes”.
- as tecnologias para desenvolver projectos, integrando criativamente as tecnologias – as tecnologias devem ser integradas nas actividades curriculares, não devem ser acrescentadas às mesmas.
Pelo atrás exposto fica claro que ao implementar ou desenvolver um módulo, curso em regime e E – learning não podemos perder de vista o fim para que foi criado nem a forma como as pessoas aprendem.
Parece-nos que a utilização da wiki apresenta vantagens que se prendem com a facilidade de acesso e o facto de permitir o desenvolvimento do trabalho colaborativo, contudo é necessário o seu uso com sensatez tendo em conta que as provas científicas da sua eficácia são praticamente nulas. A idade dos utilizadores parece ser outro aspecto a ter em atenção uma vez que a investigação apenas tem encontrado correlação positiva decorrente da sua utilização para as pessoas com certas incapacidades.
Face ao exposto a utilização da wiki ou doutra ferramenta tecnológica deverá ser equacionada sempre numa perspectiva integrativa no currículo em que o seu domínio por parte do professor é fundamental. A tecnologia é um meio nunca um fim.
Referências bibliográficas:
Miranda, Guilhermina Lobato (2007). Limites e potencialidades das TIC na educação. Sísifo.Revista de Ciências da Educação, 3, pp. 41-50. Consultado em http://sisifo.fcpe.ul.ptParaskeva, J.; Oliveira, Lia (2006). Currículo e Tecnologia Educativa. Limites e potencialidades. Currículo e Tecnologia Educativa, Vol I. Mangualde: Edições Pedago, LdaRoss, Wayne (2006). As expectativas e os perigos do E-Learning. Currículo e Tecnologia Educativa, Vol I. Mangualde: Edições Pedago, LdaWiki consultado em (Outubro de 2008) em http://pt.wikipedia.org/wiki/Wiki