Literatura Infanto – juvenil: contributos para a educação das crianças/jovens com Necessidades Educativas Especiais

Resumo da comunicação efetuada no I Congresso de Literatura Infanto Juvenil e novas tecnologias – Literatic

Refletir em torno do contributo que a literatura infantil pode ter  para a educação das crianças/jovens com NEE foi o  grande desafio que me foi colocado pelo Literatic – I Congresso de Literatura Infanto-juvenil e Novas Tecnologias.

O recurso à tecnologia, seja o livro em papel, seja digital ou outras formas de aceder ao escrito é da maior importância para a educação de todas as crianças/jovens. E se falarmos de literatura infantil estaremos na presença de um recurso fundamental para ensinar, aprender e incluir as diferenças proporcionando aos seus utilizadores formas lúdicas de crescerem psicologicamente e resolverem conflitos apropriando-se dos códigos sociais. É permitir o acesso aos alunos com NEE às experiências que os outros alunos têm.

É reconhecida à literatura infantil a função de proporcionar prazer, de auxiliar no crescimento psicológico através do envolvimento intelectual, sensorial e emotivo, contribuindo para a inclusão por propiciar a aceitação da diferença.

TIC – Incluir ou Integrar

Resumo da comunicação efetuada no BITE

29 e 30 de Novembro de 2010 – Madeira

Vivemos numa sociedade democrática, a sociedade do conhecimento onde a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) está generalizada.

Os recursos tecnológicos desenvolvidos para responder às pessoas com necessidades educativas especiais (NEE) são muitos, sendo a sua introdução no quotidiano de quem deles necessita considerada um factor central no processo de equidade.

São cada vez mais as pessoas que encontram nas tecnologias um ponto de apoio para o seu desenvolvimento constituindo-se estas para os alunos com NEE uma forma para compensar a deficiência/incapacidade. São vários os motivos que justificam a utilização das tecnologias com as pessoas com NEE, dos quais podemos destacar: a possibilidade de proporcionar aos alunos com NEE novas opções para participar e realizar tarefas de ensino aprendizagem; potenciar as habilidades/capacidades dos alunos com NEE; aceder à informação, interagindo com outros na internet; possibilitar oportunidades na utilização do e-learning; motivar e aumentar a auto estima permitindo que os alunos com NEE não se sintam diferentes dos pares; permitir feedback ao aluno sobre os erros, sem fazer comentários negativos nem críticas desmotivadoras; facilitar a imersão do sujeito na sociedade do conhecimento e a sua integração sócio laboral, entre outras.

As vantagens decorrentes da utilização das TIC para os alunos com NEE são diversas, dependendo do tipo de deficiência, contudo pdemos assinalar as seguintes (Almenara, J;Pérez, M; Batanero, J.; 2007: 11-27): ajudam a superar as limitações decorrentes de deficiências cognitivas, sensoriais e motoras; favorecem a autonomia, a comunicação síncrona e assincrona com os pares e professores; auxiliam no diagnóstico dos alunos; proporcionam momentos de lazer; permitem poupar tempo na aquisição de habilidades e destrezas e favorecem, entre outras, o sentido de êxito académico e pessoal.

A Educação dos alunos com NEE carece da introdução de metodologias e tecnologias/produtos de apoio que auxiliem o seu processo educativo. Se as tecnologias invadem o nosso quotidiano, para as pessoas com deficiência elas poderão fazer a diferença permitindo-lhes a possibilidade de comunicar, fazer escolhas, controlar o meio envolvente ou adquirir níveis desejáveis de independência/autonomia aumentando a sua dignidade e auto consideração.

O enquadramento legal existente prevê a inclusão de todos os alunos no sistema educativo regular, independentemente de terem ou não uma situação de deficiência: “A educação inclusiva visa a equidade educativa, sendo que por esta se entende a garantia de igualdade, quer no acesso quer nos resultados. No quadro da equidade educativa, o sistema e as práticas educativas devem assegurar a gestão da diversidade da qual decorrem diferentes tipos de estratégias que permitam responder às necessidades educativas dos alunos” (Dec Lei 3/2008). De acordo com o supracitado Decreto Lei as Tecnologias de apoio são entendidas como “os dispositivos facilitadores que se destinam a melhorar a funcionalidade e a reduzir a incapacidade do aluno, tendo como impacte permitir o desempenho de actividades e a participação nos domínios da aprendizagem e da vida profissional e social” (Decreto Lei 3/2008, Artigo 22.º).

Reflectir em torno da Educação Inclusiva e do papel que desempenham as TIC para responder aos alunos com NEE, como e quando são utilizadas por estes é o grande desafio que nos propomos com a presente comunicação. Para muitos alunos com NEE a introdução das TIC é o “passaporte” para a melhoria da sua qualidade de vida, para conseguirem acesso à actividade e participação.

No entender de Chácon a planificação da introdução das TIC no campo das NEE deve  ser uma ferramenta que permita o desenvolvimento pessoal, a realização de actividades e o desfrutar de situações individuais, assim como a participação plena nas actividades envolventes, repercutindo-se directamente na forma como as pessoas com deficiência podem desenvolver uma vida mais activa e autónoma, aumentado a sua dignidade e auto-estima (Chácon citado por Almenara & all, 2007).

Educação Inclusiva: As TIC como resposta às NEE´s

Resumo da Comunicação efetuada no  III Seminário de Educação Inclusiva

22 e 23 de Outubro de 2010 – Lisboa

A utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) está generalizada na sociedade. São muitos os recursos tecnológicos desenvolvidos para responder às pessoas com necessidades educativas especiais (NEE), sendo a sua introdução no quotidiano de quem deles necessita considerada um factor central no processo de equidade.

O ensino e a aprendizagem com a tecnologia para alunos com NEE são duas áreas da educação que sofreram um rápido desenvolvimento nas últimas décadas. Deu-se um grande investimento no desenvolvimento das TIC e nas políticas e práticas em Educação Especial que permitiram a criação de oportunidades e condições sem precedentes para a inclusão de todos os alunos em experiências de aprendizagem significativas.

São cada vez mais as pessoas que encontram nas tecnologias um ponto de apoio para o seu desenvolvimento constituindo-se estas para os alunos com NEE uma forma para compensar a deficiência/incapacidade. A justificação para a introdução das tecnologias de apoio nas aulas regulares e de apoio parece ter a ver com as seguintes razões: proporcionar aos alunos com NEE novas opções para participar e realizar tarefas de ensino aprendizagem; potenciar as habilidades/capacidades dos alunos com NEE; aceder à informação, interagindo com outros na internet; possibilitar oportunidades na utilização do e-learning; motivar e aumentar a auto estima permitindo que os alunos com NEE não se sintam diferentes dos pares; permitir feedback ao aluno sobre os erros, sem fazer comentários negativos nem críticas desmotivadoras.

Não obstante o atrás referido o uso das tecnologia na sala de aula é menos frequente e mais contido do que o previsto, e ainda se encontram por concretizar mudanças significativas nos processos de aprendizagem e no aproveitamento do potencial das TIC, contudo apesar da natureza universal da tecnologia no quotidiano ser elevada a aprendizagem com as TIC ocorre na maioria das vezes fora dos ambientes formais de ensino.

A Educação dos alunos com NEE carece da introdução de metodologias e tecnologias/produtos de apoio que auxiliem o seu processo educativo. Porque as tecnologias invadem o nosso quotidiano, mas para as pessoas com deficiência elas poderão fazer a diferença permitindo-lhes a possibilidade de comunicar, fazer escolhas, controlar o meio envolvente ou adquirir níveis desejáveis de independência.

Mas como responde a Escola a todos os alunos?

Prevendo o enquadramento legal existente a inclusão de todos os alunos no sistema educativo regular, independentemente de terem ou não uma situação de deficiência. “A educação inclusiva visa a equidade educativa, sendo que por esta se entende a garantia de igualdade, quer no acesso quer nos resultados. No quadro da equidade educativa, o sistema e as práticas educativas devem assegurar a gestão da diversidade da qual decorrem diferentes tipos de estratégias que permitam responder às necessidades educativas dos alunos” (Dec Lei 3/2008).

O Decreto-Lei 3/2008 prevê como medidas educativas (Capítulo IV, Artigo 16.º) a aplicar: a) Apoio pedagógico personalizado; b) Adequações curriculares individuais; c) Adequações no processo de matrícula; d) Adequações no processo de avaliação; e) Currículo específico individual; f) Tecnologias de apoio; as quais se destinam a melhorar a funcionalidade e a reduzir a incapacidade do aluno”.

As Tecnologias de apoio são entendidas como “os dispositivos facilitadores que se destinam a melhorar a funcionalidade e a reduzir a incapacidade do aluno, tendo como impacte permitir o desempenho de actividades e a participação nos domínios da aprendizagem e da vida profissional e social” (Decreto Lei 3/2008, Artigo 22.º). De acordo com o supracitado Dec Lei quando falamos de Tecnologias de Apoio referimo-nos a todos os produtos ou serviços derivados das tecnologias de reabilitação que servem para melhorar as condições de vida das pessoas com deficiência.

Reflectir em torno da Educação Inclusiva e do papel que desempenham as TIC para responder aos alunos com NEE é o grande desafio que nos propomos com a presente comunicação, porque para muitos alunos com NEE a introdução das TIC é o “passaporte” para a melhoria da sua qualidade de vida, para conseguirem acesso à actividade e participação.

2009 – Ano Internacional da Reconciliação

A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o ano de 2009 como o Ano Internacional da Reconciliação. A Resolução 61/17 das Nações Unidas (disponível em várias línguas) expressa a determinação em concretizar os processos de reconciliação nas sociedades afectadas ou divididas por conflitos, descrevendo tais processos como necessários para o firme estabelecimento da paz duradoura.

A Assembleia Geral das Nações Unidas convidou os governos das sociedades em conflito, organizações internacionais e não-governamentais para apoiarem os processos de reconciliação. Convidou-os ainda a implementar programas culturais, educacionais e sociais adequados para promover o conceito de reconciliação, que podem incluir a realização de conferências e seminários e a disseminação da informação sobre este assunto.

 

 

Formação à distância e E-learning – análise de um caso

Quando falamos de formação à distância podemos referir-nos a módulos ou cursos desenvolvidos em regime de e/b-learning. E se o primeiro prevê unicamente a aprendizagem on line com possibilidades de interacção síncrona e assíncrona a modalidade b-learning contempla dois tempos distintos: o presencial e o online.

A utilização do e-learning traz vantagens em termos de tempo e espaço (taxonomia clássica de Wenger e all, 2005) e ritmo de aprendizagem com possibilidade e ser gerido pelo aprendente.

Optou-se, pela análise do espaço disponível on-line (Figura1), alojada no MOODLE da DGIDC, em (http://moodle.crie.min-edu.pt/course/view.php?id=113).

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Figura1- Moodle da DGIDC

Razões subjacentes à selecção efectuada

Acedeu-se ao espaço durante a pesquisa na Internet. O espaço encontra-se com acesso directo das escolas da Lousada em http://adsl.eb1-n1-cnespereira.edu.pt/, onde é referido como um instrumento de aprendizagem electrónica on-line “com múltiplas possibilidades e trabalho partilhado de toda a comunidade educativa da Lousada”.

A disciplina SeguraNet em: http://moodle.crie.min-edu.pt/course/view.php?id=113 do Projecto CRIE, destina-se a utilizadores individuais ou a Escolas e tentar formar a comunidade para a Segurança na Internet, sendo uma das várias disciplinas no mesmo projecto.

Organização e funcionamento do curso

A inscrição na disciplina é facultativa. A vantagem da inscrição, a meu ver, é de sentido de pertença a uma comunidade de prática e a referência de um professor como suporte/apoio associado à disciplina.

A interacção entre os participantes é assíncrona, relativamente ao tempo e ao espaço, não estando previstos momentos síncronos nem a obtenção de certificação. O papel das TIC na formação à distância é de suporte ao tradicional.

O curso está organizado em Módulos:

(1) Módulos de Formação Segurança na Internet;

(2) Recursos;

(3) Actividades SeguraNet;

(4) Material de apoio a Workshops;

(5) ligações úteis.

São ainda disponibilizados:

- Recursos (que incluem publicações, jogos on-line; estudos, vídeos on-line);

- Novos Documentos;

- Actividades SeguraNet;

- Material de Apoio – Workshops;

- Ligações úteis.

Cada módulo oferece ao aprendente conteúdos de apoio, Actividades e vídeos, estando prevista através dos fóruns a troca de experiências e partilha de conhecimentos ou software free que ajuda os intervenientes, e ainda a colocação de dúvidas entre os utilizadores.

O aprendente pode gerir o seu tempo e espaço, assim como adaptar a sua forma de aprender em função das suas preferências e modos de o fazer e aprender, porque são-lhe disponibilizados os materiais/conteúdos de suporte, os vídeos e as actividades para treino e validação de conhecimentos. As dinâmicas tanto podem ser individuais como de trabalho colaborativo, embora a análise do espaço permita constatar que os espaços colaborativos são assíncronos e realizam-se nos fóruns.

O modelo de aprendizagem subjacente parece ser o construtivismo uma vez que o sujeito vai construindo a sua aprendizagem e opção pelos módulos em função das suas necessidades e preferências sempre com suporte à f

A utilização da plataforma é fácil, mesmo para o utilizador pouco familiarizado com o MOODLE.

Embora não apresente as características de outros espaços de aprendizagem on-line, de que é exemplo o Instituto Nacional da Administração (INA) em http://elearning.ina.pt/index.php.(Figura2).

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Figura2- INA

O elearning.ina.pt esclarece o visitante ou futuro aluno relativamente a:

Teoria e prática da aprendizagem online; o que é o e-learning; Quais as mais-valias do e-learning? A quem se destina o e-learning? – que perfis de utilizadores; Quais as características de um curso e-learning?; Calendário de Formação e duração; Quais as modalidades utilizadas no INA?

Do ponto de vista sócio-económico as relações custo/benefício parecem ser indiscutíveis, contudo do ponto de vista pedagógico os modelos caracterizam-se pela transposição do modelo pedagógico do ensino presencial (Aires, 2006?).

Referências bibliográficas:

Aires, Luísa (    ). Comunicação e Aprendizagem Online: Que percursos?

Loureiro, Maria José; Moreira, António; Dias, Maria Bastos (200?). Avaliação de ambientes colaborativos de aprendizagem online na Plataforma de ELEARNINGPROF2000.

Comunidades De Prática

Para Wenger, White, Smith e Rowe (2005) uma comunidade de prática (COP) refere-se a uma prática social ligada à existência de um conjunto de pessoas que se reconhecem mutuamente como associadas a um conjunto determinado de saber fazer e que acabam por ser reconhecidas pelos outros como pertencentes à categoria.

Ainda, segundo os autores as comunidades de prática apresentam três características: o empenhamento mútuo, o empenhamento conjunto e o reportório partilhado.

O papel das tecnologias do ponto de vista da comunidade é visto como vagas cíclicas de criatividade onde esta se articula com a criatividade ao serviço dos mercados, a sua utilidade ao serviço da comunidade e as evoluções decorrentes do seu uso, as quais se repercutem na resposta do mercado; iniciando assim nova vaga de criatividade inventiva.

O mercado tecnológico para as comunidades de prática evoluiu significativamente permitindo a sua utilização de acordo com o tempo e o lugar em: (i) diferentes tempos e lugares; (ii) diferente tempo e o mesmo lugar; (iii) o mesmo tempo e lugar e (iiii) o mesmo tempo e diferente lugar (taxonomia clássica tempo/lugar de Wenger e all, 2005).

As ferramentas comunitárias definidas em diagrama pelos autores são assim vistas num campo complexo de actividades, em que na parte exterior do círculo são colocadas as interacções assíncronas, as interacções síncronas e as publicações, e ao nível mais central a participação individual e o cultivo comunitário. Contudo, a evolução do mercado tecnológico tem sido crescente o que originou o surgimento de ferramentas híbridas que ajudam as pessoas a fazer a ponte entre as diferentes actividades e plataformas capazes de acomodar todas as actividades da comunidade. Se por um lado as comunidades de prática combinam ferramentas, e plataformas que respondam às suas necessidades por outro lado adaptam outros recursos tecnológicos.

De acordo com Wenger e all a integração tecnológica faz-se na lógica do estabelecimento de pontes apontando caminho para a produção de oferta tecnológica sob o formato de módulos compatíveis com produtos normalizados e que podem ir desde simples ferramentas colocadas noutros aplicativos com as quais falam ou interagem.

A estrutura de análise da comunidade tecnológica combina as ferramentas/plataformas na lógica de/para em quatro níveis:

- a configuração das tecnologias usadas pela comunidade e pelos seus membros;

- as plataformas de suporte ao pacote tecnológico;

- as ferramentas que suportam actividades específicas;

- as características das ferramentas e plataformas que as tornam utilizáveis ou diferenciáveis de outras.

A chave do sucesso tecnológico parece estar em manter o foco na comunidade, nas suas circunstâncias, aspirações, membros e actividades (Wenger e all, 2005).

Uma grande variedade de circunstâncias das comunidades implica o desenvolvimento de tecnologias para as comunidades actuais de acordo com as suas características:

- os membros da comunidade possuem níveis diferentes de acesso às tecnologias;

- algumas comunidades com poucos fundos económicos utilizam ferramentas free e de fácil acesso (exemplo do email) ou ainda software livre que requer conhecimentos tecnológicos;

- Comunidades com fundos económicos elevados que optam pela utilização de aplicações em servidor;

- algumas comunidades residentes em organizações e que necessitam de manter sigilo nas informações partilhadas.

Desenvolver tecnologias para as comunidades actuais não é diferente de o fazer com outros propósitos. Os princípios do Design de boa tecnologia devem ser aplicados.

Princípios de Design de Tecnologia:

- Design para cada uso e aprendizagem (é um princípio de simplificação de utilização e de aprendizagem);

- Design para a evolução ou de evolução (tecnologia que pode evoluir, ou seja permitir “crescer” de acordo com as necessidades do utilizador tanto individualmente como em comunidade);

- Design de “proximidade na mão”(soluções que se encontram à distância de um clic, ou seja ferramentas usadas quotidianamente são preferíveis, como por exemplo o email por permitir a dupla vantagem da interacção em comunidade e por ser usado em grande parte pelas pessoas no trabalho e na vida social);

- Design para diferentes usos ou utilizações (as perspectivas de utilização das tecnologias respondem a um propósito individual ou de comunidade em que a participação é geralmente voluntária com intensidade variável através de diferentes comunidades e projectos).

De acordo com os princípios propostos por Wenger considero como mais pertinentes para o desenvolvimento duma comunidade de prática o princípio de Design para cada uso e aprendizagem e o Design para a evolução ou de evolução.

Estes dois princípios, a meu ver são determinantes na constituição duma comunidade de prática até para o utilizador individual, porque se as tecnologias não forem simples de operar e de se aprender criam barreira à sua utilização e se não permitirem o crescimento ou ajustamento às necessidades no tempo e no espaço podem ser limitadoras por travarem o crescimento e o acesso a outras formas de organização.

Para além dos aspectos referidos, outros têm que ser tidos em conta aquando da utilização das tecnologias tais como a sua configuração, que sendo um processo complexo, está dependente de circunstâncias variadas, e deve reflectir a constituição da comunidade, o seu estado de desenvolvimento e diversidade, e ainda prever um leque de actividades que respondam às diferentes formas de aprender dos seus membros com ferramentas que permitam a participação individual, o cultivo da comunidade, a participação síncrona e assíncrona e ainda a publicação.

As características das ferramentas parecem ser a chave do sucesso das tecnologias porque directa ou indirectamente facilitam ou condicionam a participação da comunidade, seja pelo preço ou pelas características de utilização.

Os criadores de software devem escutar as necessidades das comunidades devendo estas envolver-se activamente no processo, sobretudo aquelas cujas necessidades dependem directamente das tecnologias.

  

Referências bibliográficas:

Santos, M. (    ). Um olhar sobre o conceito de comunidades de prática. Comunidades de Prática.

Wenger, E.; White, N.  Smith, J.; Rowe, K. (2005). Technology for communities. CEFRIO Book Chapter.

 

 

6º encontro APEDI – diversidade e gestão curricular

6º encontro APEDI - diversidade e gestão curricular 

 

 

 

 

 

De que se fala quando falamos de “wiki”?

Por consenso “Wiki” é o termo atribuído ao software colaborativo que permite edição colectiva de documentos sem revisão prévia à sua publicação, através da utilização da Internet.

 

A Wiki enquanto artefacto tecnológico, dadas as suas características permite a construção colectiva do saber. Como? – Porque os visitantes podem colaborar ou cooperar com os seus conhecimentos para o desenvolvimento de uma ideia (chuva e ideias ou brainstorming) do grupo independentemente do local onde se encontrem e ao mesmo tempo, se assim o desejarem.

O processo de colaboração inicia-se com o propósito de efectuar ou concluir um “trabalho” ou “tarefa”. A tarefa ou trabalho carece duma “coordenação” para que o objectivo seja eficazmente alcançado evitando a repetição de abordagens, negociando e tomando decisões relativamente às tarefas e dando cumprimento aos prazos.

Por outro lado é um software free, logo ao alcance de qualquer comunidade.

Assim a wiki apresenta-se como um bom mediador colaborativo.

As desvantagens da utilização decorrem dos temas tratados correrem o risco de ficarem pelo carácter opinativo, ou seja nem sempre fiável.

 

A utilização deste artefacto parece ser uma boa opção em termos educacionais, porque permite a transmissão e a construção de conhecimento substituindo a sala de aula, o lápis, o papel e o quadro pelo teclado do computador e pela Internet. É exactamente este aspecto que Paraskeva e Oliveira (2006) questionam referindo que: “de nada valerá uma tecnologia informacional e comunicacional que contribua para a mesma forma e conteúdos curriculares” exigindo os conteúdos de ensino reforma de acordo com os autores.

Pensar estas ferramentas com bom senso tendo o cuidado de não as deixar ser invasivas tanto da privacidade como da nossa identidade é fundamental.

Apesar de ser atribuída à tecnologia um papel de relevo, tem-se verificado que o deslumbramento inicial rapidamente se desvanece, evidenciando-o, os projectos de ensino à distância que fracassaram.

A utilização do E-learning será semelhante para crianças/alunos e para adultos?

De acordo com Ross (2006) refere que de acordo com o relatório Fool´s Gold “os 30 anos de investigação em tecnologia educativa produziram somente uma relação clara entre os computadores e a aprendizagem das crianças” referindo os programas de repetição e prática, os que apresentam um impacto mais significativo nos desempenhos.

São igualmente relatados os argumentos da Alliance for Childhood que “argumenta que o que é bom para adultos e estudantes mais velhos é muitas vezes inapropriado para jovens”.

A Alliance for Childhood vai mais longe ao sustentar que, “ enquanto que para as crianças com certas incapacidades a tecnologia traz benefícios claros, para a maioria das crianças os computadores trazem (ou contribuem par trazer) riscos para a saúde, sérios problemas de desenvolvimento, tais como caso de stress repeitivo, tensão ocular, obesidade e isolamento social”. Este fenómeno, das mudanças tecnológicas rápidas, é apelidado por James Gleick de “doença da pressa” (Ross, 2006).

Para alguns autores “ estamos a usar a tecnologia informática não porque ela ensina melhor, mas porque perdemos a vontade política de fundamentar a educação adequadamente” (Sherry Turkle , citado por Ross, 2006). A própria Alliance for Childhood afirma que os computadores ligam as crianças a jogos banais, a conteúdos para adultos inapropriados e a publicidade agressiva. “ A distância que a tecnologia promove é o oposto do que as crianças precisam – relações próximas com atenção dos adultos” (citado por Ross, 2006).

Miranda (2007) enuncia aspectos, que os professores devem acautelar, relacionados com o ensino e aprendizagem e as tecnologias aquando da sua utilização para que se produza aprendizagem efectiva:

- as tecnologias enquanto ferramentas informáticas devem ser usadas como novos formalismos para tratar e representar a informação – a aprendizagem e o tratamento da informação com alguma perícia (domínio da linguagem escrita, sistema decimal, operações aritméticas, sistemas de classificação, e de representação) adquirida durante o 1º ciclo (9 e 10 anos) até à mestria. De acordo com a autora “ o que acontece é que os sistemas informáticos, considerados como novos formalismos para tratar e representar a informação, ancorados nos sistemas convencionais, vão modificar o modo como as crianças estão habituadas a aprender e também amplificar o seu desenvolvimento cognitivo” (Miranda, 2007). O uso destas ferramentas permitirá aumentar as aprendizagens gerando novas aprendizagens. Este trabalho tem no entanto de ser estruturado e acompanhado pelo professor, que deverá conhecer bem as ferramentas, para que se operem resultados.

- as tecnologias para apoiar na construção de conhecimentos significativos – de acordo com a autora “ a aprendizagem é um processo (re) construtivo, cumulativo, auto-regulado, intencional e também situado e colaborativo” (Miranda, 2007).

Entende-se por processo (re) construtivo que os alunos constroem novos conhecimentos a partir das estruturas e representações já adquiridas; a aprendizagem cumulativa significa que os alunos aprendem com base m aprendizagens anteriores; aprendizagem auto-regulada – o apoio do professor é fundamental para este desenvolva competências de trabalho e hábitos de estudo dando-lhe intencionalidade. Quanto aos a considerar a aprendizagem situada e colaborativa a autora refere a falta de provas científicas que provem o seu real papel. A criação de comunidades de aprendizagem facultadas pelo recurso à Internet são uma opção (aprendizagem situada), mas o contexto facilita ou inibe a aplicação de conhecimentos?; “dizer que a aprendizagem é colaborativa  significa que esta se faz em contextos e práticas sociais que implicam a colaboração entre iguais e destes com adultos que, em princípio, se tornam tutores que modelam progressivamente determinados conhecimentos e atitudes”. Miranda (2006) adverte que ”a Internet pode facilitar esta aprendizagem colaborativa, se o professor criar projectos onde alunos (e outros adultos) possam realizar actividades, resolver problemas em cooperação e participar em tarefas comuns” contudo “ nem todas as aprendizagens se fazem de modo colaborativo e nem todos os estudantes gostam e aprendem nestes ambientes”.

- as tecnologias para desenvolver projectos, integrando criativamente as tecnologias – as tecnologias devem ser integradas nas actividades curriculares, não devem ser acrescentadas às mesmas.

Pelo atrás exposto fica claro que ao implementar ou desenvolver um módulo, curso em regime e E – learning não podemos perder de vista o fim para que foi criado nem a forma como as pessoas aprendem.

Parece-nos que a utilização da wiki apresenta vantagens que se prendem com a facilidade de acesso e o facto de permitir o desenvolvimento do trabalho colaborativo, contudo é necessário o seu uso com sensatez tendo em conta que as provas científicas da sua eficácia são praticamente nulas. A idade dos utilizadores parece ser outro aspecto a ter em atenção uma vez que a investigação apenas tem encontrado correlação positiva decorrente da sua utilização para as pessoas com certas incapacidades.

Face ao exposto a utilização da wiki ou doutra ferramenta tecnológica deverá ser equacionada sempre numa perspectiva integrativa no currículo em que o seu domínio por parte do professor é fundamental. A tecnologia é um meio nunca um fim.

Referências bibliográficas:

Miranda, Guilhermina Lobato (2007). Limites e potencialidades das TIC na educação. Sísifo.Revista de Ciências da Educação, 3, pp. 41-50. Consultado em http://sisifo.fcpe.ul.ptParaskeva, J.; Oliveira, Lia (2006). Currículo e Tecnologia Educativa. Limites e potencialidades. Currículo e Tecnologia Educativa, Vol I. Mangualde: Edições Pedago, LdaRoss, Wayne (2006). As expectativas e os perigos do E-Learning. Currículo e Tecnologia Educativa, Vol I. Mangualde: Edições Pedago, LdaWiki consultado em (Outubro de 2008) em http://pt.wikipedia.org/wiki/Wiki 

 

 

Teorias de Aprendizagem e ambientes informatizados

Ambientes e aprendizagem informatizados caracterizam-se pela concepção de micromundos informáticos (ex: Logo, STI) ou ainda de programas multimédia (ex: conjugação de várias ferramentas como o texto, o desenho, o som, a imagem e a programação (Miranda, 2008).

Do ponto de vista conceptual e de forma simplista, o Ensino Assistido por computadores (EAC) deu origem à Educação Baseada em computador, cuja evolução e complexidade culminou na construção de ambientes de aprendizagem informatizados.

Os princípios estruturantes do ensino programado, foram aplicados ao uso do computador permitindo constatar maior eficácia (Suppes e Bitzer, 1959, 1962 in Miranda, 2008). São seis os princípios que norteiam o ensino programado (Holland, 1959 in Miranda, 2008):

- a participação activa do aluno;

- a divisão de tarefas em partes de fácil resolução;

- a aprendizagem com grau crescente e complexidade;

- o “feed-back”imediato;

- a adaptação ao ritmo de cada aluno;

- a possibilidade de êxitos parciais e constantes.

A evolução e massificação do acesso aos sistemas multimédia parecem ser geradores de equidade. Miranda (2008) refere que podemos correr o risco de, “o conhecimento poder tornar-se uniforme, igualitário e superficial. Ganha-se em poder de acesso, mas perde-se em particularidades e em profundidade”.

É a alteração do paradigma educativo: da ala de aula para o trabalho individual e para o computador (es) em rede.

A grande incógnita prende-se realmente com o conteúdo da educação à distância e dos seus pressupostos teóricos.

De acordo com a investigação, seja o ensino à distância seja presencial, o mesmo deve ser bom, os alunos querem bons professores.

Os conteúdos para o ensino à distância devem assentar em cinco pilares (Miranda, 2008 cita Egbert e Jessup, 1996, citados por Guerreiro, 2001):

- materiais pedagógicos de excelente qualidade;

- métodos e estilos de ensino bem concebido com apoio efectivo aos estudantes;

- currículos significativos dando resposta a necessidades reais;

- abordagem inovadora dos currículos;

- avaliação formativa e sistemática.

As abordagens do ensino à distância são dominadas actualmente pelo processamento da informação ou abordagem instrucionista ou pela abordagem construtivista.

Enquanto primeira abordagem valoriza a memória (de curto prazo ou de trabalho e a organização da informação. Assim é sugerido que para contrariar o “efeito da dispersão da atenção” provocado pelo uso do computador, os programas contemplem a visão e audição enquanto fontes e informação.

A abordagem construtivista ao valorizar os processos de construção do conhecimento sustenta-se nos recursos que este dispõe e na colaboração e prática que desenvolve.

Nenhum dos modelos se apresenta como superior existindo normalmente a tendência para usar ambos.

Miranda (2008) alerta para o facto de o ensino à distância requerer do utilizador o seguinte perfil:

- capacidade de auto-disciplina e motivação;

- capacidade e gestão do tempo;

- capacidade de exprimir as ideias e pensamentos através da escrita;

- capacidade de aceitar a crítica dos outros (sujeitos resilientes);

- competências de informática;

- capacidade de partilhar experiências confortavelmente.

A investigação tem mostrado que a utilização dos ambientes e aprendizagem se tem revelado favorável sobretudo para os alunos com dificuldades e favorece o desenvolvimento de atitudes mais positivas dos alunos face à aprendizagem através do computador. Contudo os resultados estão amplamente dependentes da organização escolar, dos professores, e da interacção professor aluno (Miranda, 2008).

Miranda (2008) realça que “os programas precisam de operadores competentes para funcionarem eficazmente, neste caso os professores”.

Para concluir, gostaria de expressar quão prazeirosa foi para mim a leitura do artigo comentado acima, pela sua clareza e contributo para a compreensão do tema que é aprendizagem com as tecnologias.

 

Referências bibliográficas:

Miranda, G. L. (2008). Teorias da aprendizagem e aplicações educativas programáveis. (Texto não Publicado?). pp. 1- 48.

Mapa de Conceitos – Integração Curricular das TIC

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